segunda-feira, 28 de abril de 2025

O meu diário 96, 97 e 98

 Rio Verde, 03 de abril de 1997 – Quinta-feira 


     Cerca das 07:00 eu desfiz a minha cama, que fora feita no chão. Fui no banheiro público no final do corredor onde escovei os dentes e lavei o rosto. No alojamento dos policiais militares que cuidam da guarda do presídio tem 02 banheiros que dificilmente eu uso. Na delegacia tem um banheiro privado para os policiais civis do expediente que não uso por não ter a chave. Tem vez que a escrivã Marilda deixa a chave comigo. É só pedir que ela deixa, mas não gosto de pedir. Tomei café e comi um pedaço de bolo que ganhara de um preso. Tenho uma certa amizade com alguns presos, por isso ganho algo de comer e até algum presente. Os presos mais próximos ganham a confiança dos policiais civis e militares e são tirados para algum serviço e até ficam soltos, os chamados celas-livres que são recolhidos à noite. Os presos não chegados são perigosos, planejam fugas e brigas. Quanto a nossa profissão, temos que saber nos relacionar com todos os presos porque são carentes de amor e educação e são gentes como a gente.


(Do meu livro O meu diário 96, 97 e 98, memórias, em revisão)

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