No Brasil, o dia do engraxate de sapatos
é comemorado no dia 27 de abril. O engraxamento dos sapatos protege o couro e
dá brilho aos mesmos. A profissão de engraxate precisa ser honrada, porque
ainda existem muitos engraxates adultos em pontos estratégicos das cidades,
como mercados municipais, rodoviárias e aeroportos. E muitos desses
profissionais são pais de famílias.
A profissão de engraxate foi reconhecida
em 1806, na França, quando um operário engraxou as botas de um general num
gesto de humildade e ganhou como recompensa uma moeda de ouro. Na Itália os
serviços de engraxate eram oferecidos pelos garotos cognominados de “sciusciàs”
ou engraxadores, em português. No Brasil os primeiros engraxates surgiram por
volta do ano de 1877, na cidade de São Paulo, e eram crianças de origem
italianas entre 10 e 14 anos que circulavam pelas ruas centrais da cidade com
suas caixas de madeiras, graxas, escovas e flanelas.
As crianças e adolescentes de hoje não
sabem engraxar um sapato e nem conhecem uma caixa de engraxate com os seus
itens. Nos anos 1971 e 1972 quando Goiânia era uma cidade pacata com cerca de
400 mil habitantes, tive a honra de ser engraxate, junto com meu irmão Afonso e
meu amigo de infância de nome Joaquim cognome Quincas pelas ruas centrais da capital.
Era divertido e não atrapalhava os meus estudos pela manhã. Lembro-me que
ganhávamos comida nas casas.
Os tempos mudaram. As cidades cresceram
muito e aumentaram a violência e criminalidade, e as crianças e adolescentes já
não podem andar livremente pelas ruas. O Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA) criado em 13-07-1990 veio para proteger as crianças e adolescentes das
intempéries do mundo. O ECA proíbe qualquer trabalho a menores de 14 anos de
idade, e permite a partir dos 14 anos trabalharem na condição de aprendiz.
34 anos após entrar em vigor, o ECA é
criticado por só proibir e não apresentar uma solução para evolução dos
menores, porque muitas crianças e adolescentes continuam nas ruas sem trabalhar
nem estudar e expostas às drogas. Ontem (10-01-2025) por volta das 13h quando
voltava para minha casa, deparei com duas crianças entre 10 e 12 anos de idade
que pareciam irmãos, num semáforo, pedindo dinheiro aos condutores dos
veículos. Não lhes dei nenhum dinheiro por estar do outro lado da pista.
Goiânia, 11-01-2025
(Do meu livro Histórias da vida, crônicas, em construção)
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