sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Sobre o menor abandonado - crônica

    Em termos de Brasil (país do terceiro mundo), é grave a situação do “menor abandonado” principalmente nas grandes cidades, que chega a ameaçar o futuro da nação, de um povo, se não for cortado pela raiz. Por ser como uma praga que afeta a nossa lavoura, que se chama esperança de um mundo melhor. 

     Eles são como aves de rapinas, que andam pelas ruas caçando o que comerem e muitas das vezes tendo que ajudarem suas famílias, menosprezadas pela sociedade. Alguns já vivem no subemprego quando lavam e vigiam carros; outros já preferem a vida fácil que é mais lucrativa, quando furtam incentivados pelo coleguismo e pela droga. 

     Diante destas ocupações é impossível ter tempo para a escola e a família. Crescem semianalfabetos, sem ao menos aprenderem uma profissão, sem uma oportunidade para um trabalho remunerado. E sem saída entram para o mundo do crime ainda jovens.

     A verdade é que sem uma base duma familiar e presença escolar tornam-se marginais, seres sem piedades pelo próximo. Existem vários programas para a recuperação desses menores, que não chegam a resolver devido o aumento desenfreado da população carente, e de pais que abandonam os seus filhos a um deus dará, por não terem condições de sustentá-los.

     Vejo que a causa principal está na falta da família, que a base da sociedade e que precisa ser estruturada. É dever do Estado ter programas de assistência social como empregos, escolas e cestas básicas, para reestruturação das famílias carentes. E, se possível, o controle da natalidade para a classe menos favorecida, para uma conscientização de uma vida mais condigna com as condições do país. 


Goiânia, 10 de janeiro de 1990


(Do meu livro Nova Oportunidade, artigos, crônicas e homenagens, editora Contato Comunicação e UBE, edições consorciadas, 2024)

Nenhum comentário:

Postar um comentário