Se fosse algum tempo atrás, ou seja, na época do Brasil Colonial e Imperial (séc. XVI - XIX), pela minha cor negra eu seria escravo de algum fazendeiro, sem direito a ter um parente ou amigo, e sem uma vida social com brancos num povoado qualquer. A minha moradia seria numa senzala com muitos alojamentos e vigiada por um capataz com direito a me agredir. Seu eu fugisse para o mato seria pego e acorrentado por um capitão do mato. E a minha esperança seria encontrar um quilombo distante para ser acolhido.
Os tempos mudaram graças a Deus. Hoje eu sou livre para ter uma vida normal e social, e ser um exemplo a ser seguido; posso estudar, trabalhar e ter uma família; posso expressar meu talento em todas as áreas da sociedade, como esporte, música, letras e artes plásticas, ao meu bel-prazer. Também posso expressar o meu pensamento filosófico e religioso, sem discriminação. A Constituição é a minha guardiã.
A minha realidade é outra, pois não sou mais escravo de uma mente atrasada e violenta. O meu clamor chegou aos Céus, e Deus me libertou de uma grande injustiça da humanidade. Agora eu tenho a liberdade que tanto sonhei um dia quando vivia sem alegria. Toda a minha dor e desilusão agora é passado, embora muitos morreram como mártires por nossa luta. Agora eu sou amado por meu caráter e talento, e posso expressar o meu sentimento de amor a parentes e amigos sem constrangimento. Agora eu sou igual a todo mundo, sem distinção de qualquer natureza, e com os mesmos direitos e deveres conforme a nossa Lei Maior.
Graças a Deus e a Princesa Isabel que assinou a Lei Áurea, agora eu sou livre para sonhar e voar, não preciso mais viver recluso, sem fé e sem esperança. Agora eu sou visto pela beleza da minha alma que não tem cor e não pela cor da minha pele. O que importa agora é o meu semblante cheio de luz e de vida, e de ser um vencedor. Portanto, quero viver a liberdade de ir e vir, e de ser feliz, amar e fazer o meu semelhante também feliz. Porque somos todos iguais diante de Deus e perante à Lei dos Homens.
Goiânia, 22-08-2025
(Do meu livro de crônicas Fatos Marcantes, em revisão)
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