Talvez seja cedo para se fazer uma análise do atual Governo; mas não para se fazer uma crítica construtiva em se tratando de uma democracia. Fernando Collor de Melo, nosso presidente, nesse curto espaço de tempo, já demonstrou o seu poder e autoridade, com autonomia, o que é válido para o enxugamento da máquina administrativa. Mas, é preciso que tenha fundamento, para não cairmos na desilusão de mais cinco anos.
O Plano Econômico Brasil Novo é audacioso e ousado, transparente de boas intenções, mas não condiz com a nossa realidade. No tocante a mudança da moeda, do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e bloqueio das cadernetas de poupança e de outros investimentos financeiros pelo Banco Central, inclusive tirando o capital de giro das empresas, não foi uma medida condizente, pois a economia já começa a parar – e com isso o desemprego -, e o porvir de consequências maiores, se não for emendado pelo Congresso Nacional.
Precisamos acabar com a inflação, mas não dessa maneira, pondo em risco nosso desenvolvimento e retroagindo para a pobreza a maioria da população. Esse Plano me lembra o da Argentina que não deu certo. Em nosso país está causando polemicas e incertezas.
Nossa realidade é outra, pois o nosso maior problema é a dívida externa, esta sim deveria ser combatida com prioridade. Pois, se a resolvermos acabaríamos com o déficit público interno, causador da inflação. O nosso sacrifício, comumente, será em vão, em nada vai resolver, pois precisamos de “dólares” e não de cruzados, ou seja, de exportarmos mais para aumentar o superávit, e mesmo assim será difícil pagar nossa monstruosa dívida num curto espaço de tempo.
Vejo que a nossa solução é a moratória, que antes pregada nos comícios, e agora esquecida nem discutida, não sei o porquê? Na verdade, os governos mudam, mas a história é sempre a mesma, ou seja, não é bem assim. Então eu me pergunto: Brasil Novo ou Velho?
Rio Verde, 13-04-1990
(Do meu livro 31/34, Nova Oportunidade, editora Contato Comunicação e UBE, Goiânia, Goiás, 2024)
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