A minha situação não está nada boa, sinto-me só e triste embora rodeado de muita gente. Às vezes, sinto-me como um lixo humano, descartável ou invisível. Aos 90 anos moro num asilo há 20 anos desde que minha mulher faleceu. O pessoal da saúde me dá muita atenção, tira a minha pressão todos os dias e controla os meus remédios.
Já não tenho parentes nem amigos, porque morreram quase todos. Os meus primos e primas que restaram estão todos velhos como eu, e reclusos, espalhados pelo mundo afora. O meu único filho e dois netos que me restaram, moram no Alabama, nos Estados Unidos e não podem me visitar por falta dinheiro. Eu me contento com as fotos antigas da minha casa cheia de gente. E fico contando os dias que me faltam.
Goiânia, 17-06-2025
(Do meu livro Minhas histórias; nossas histórias, pequenos contos, em revisão)
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