A reforma agrária no Brasil tem ficado nas promessas, devido à politicagem. Os trabalhadores rurais sem-terra cansados de esperar saíram à luta por seus direitos, ou seja, por um pedaço de terra onde possam plantar, colher e assim sobreviver, ao invés de irem para as cidades, que já não mais os acolhem. São 40 mil sem-terra acampados em fazendas improdutivas. Muitos deles foram mortos por pistoleiros e militares.
Na última
chacina, em Eldorado do Carajás, no sul do Pará, 19 sem-terra tombaram sobre
suas foices e enxadas. O azar foi que a televisão filmou a horripilante cena
que imediatamente repercutiu no Exterior. É preciso que esses assassinos e seus
mandantes sejam condenados. A Justiça não pode ser cúmplice desse massacre.
Jamais.
O
presidente Fernando Henrique Cardoso, sem saída, fez um acordo com o Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra (MST), para que não aumentasse o número de
acampamentos, prometendo dar andamento no processo de reforma agrária. Entendeu
o presidente a gravidade de problema, tanto que criou o Ministério Extraordinário
de Política Fundiária, além de dispensar ministros inoperantes.
A verdade é
que os latifúndios e minifúndios precisam acabar. Um país, por mais
desenvolvido que seja, depende de um sistema fundiário competente para uma
agricultura autossuficiente. É bom lembrar que somos o quinto país em extensão,
com terras férteis. China e Estados Unidos, além de industrializados, são
grandes exportadores de grãos.
(Texto de minha autoria publicado
no Jornal O Popular, Goiânia, Goiás, em 14-05-1996, seção Cartas do Leitor)
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