Há uns 15 anos uma moça conhecida sobrinha de meu cunhado
através de minha irmã me convidou para sermos padrinhos de casamento do seu
tio, em substituição ao seu par que não poderia comparecer. Terminada a
cerimônia, ela me agradeceu e foi para um lado e eu para outro. Ela tinha vinte
e poucos anos e eu quarenta e poucos.
Depois de alguns anos eu liguei para a minha irmã
perguntando se aquela moça continuava solteira, porque estava interessado nela.
A minha irmã disse que sim e que marcaria um evento familiar e a convidaria, e
que eu poderia tratar com ela pessoalmente. Eu disse, está bom. Então, vamos
lá!
Marcamos um encontro numa estância com milhares de pés de
jabuticabas e outras atrações. Ela chegou e não me cumprimentou. Então fui até
ela e a cumprimentei, sem beijinho no rosto. Chupamos muita jabuticaba, almoçamos,
lanchamos e tomamos banho num córrego. Ela passou todo o tempo conversando com
meu sobrinho, e não me deu nenhuma brecha para aproximar. Às vezes ela passava
por mim apressada parecendo estar muito ocupada. E até pensei em interromper o
papo dos dois, mas, achei não ser conveniente.
Já findando o dia, chegou o momento de irmos embora. A minha
irmã perguntou se eu poderia dar uma carona para ela. Eu disse, claro que sim.
Como já havia prometido dar carona para uma amiga casada com o irmão de meu
cunhado, ela se propôs a sentar-se no banco de trás. Não disse uma palavra
sequer até chegar um ponto de ônibus de sua preferência: “Aqui para mim está
bom, muito obrigada”. E desceu sem se despedir. A minha amiga então disse: “Nossa,
que mulher estranha”.
Passados mais alguns anos, fiquei sabendo que ela tinha se
convertido numa Igreja Universal, e que tinha pedido para um pastor lhe arrumar
um namorado pois precisava ter uma família. Logo ela apareceu em nossas
festinhas com um rapaz típico nordestino, ou seja, com aparência, sotaque
e maneira se se comportar. Parecia ser gente boa; e se mostrava muito feliz ao lado
dele. Ficou noiva, casou-se e foi morar em Fortaleza, capital do Ceará.
Goiânia, Goiás, 02-04-2020
Alonso Rodrigues Pimentel
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