Há uns dias começaram a haver boatos nos
veículos de comunicação, principalmente na TV de que o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro iria demitir o diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, e que o ministro
da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Mouro, iria pedir demissão caso o
diretor da Polícia Federal fosse demitido. No dia 24-04, enfim, aconteceu a
publicação de um decreto de exoneração da demissão do diretor da PF no Diário
Oficial da União. E no mesmo dia, às 11:00, o ministro Moro marcou uma
entrevista coletiva para anunciar a sua decisão que durou 40 minutos e foi
confirmada a sua demissão.
Durante a entrevista, Moro falou que foi
contactado em novembro de 2018 para ser Ministro da Justiça e Segurança
Pública, e que deixou a Magistratura depois de 22 anos. Moro afirmou que lhe
foi dado carta branca, ou autonomia para combater a corrupção, o crime
organizado e a criminalidade violenta. No entanto, no exercício de seu cargo
começou a ter problemas para aprovar os seus projetos como no pacote anticrime
em que não foi aprovado o seu pedido de prisão em segunda instância nem a
exclusão de ilicitude, etc.
O ministro Moro listou vários motivos de sua
demissão, como o de não concordar com a demissão do diretor da PF, por não
haver um motivo aparente e, ainda, não ser comunicado; e de o presidente
insistir na troca de outros superintendentes por interferência política sem
considerar questões técnicas. E que nos últimos meses estava se sentido isolado
no cargo, parecendo que o presidente e aliados não mais o queria. E como havia
pedido demissão do cargo de juiz iria procurar outro emprego pois não ficou
rico com cargo, e que estaria à disposição do país para uma função pública.
Quanto a seu pedido de demissão, creio que Moro
se precipitou, se envaideceu. O presidente agiu correto por ter todo o direito
de vetar as ordens de um ministro ou de um diretor cargo de sua confiança,
assim como tem o direito de demitir qualquer que seja. Moro ainda perdeu a
chance de ser indicado pelo presidente a uma vaga no Supremo Tribunal Federa
(STF). O presidente também tem todo o direito de exigir relatórios da PF, o que
não é interferência política nem ingerência nas investigações, mas por ser a PF
subordinada ao Governo Federal. Por outro lado, a autonomia da PF deve ser
transparente.
Pelo visto, a queda do ministro Moro assim como
a de Luiz Henrique Mandetta e outros ministros está relacionada a uma falta de
diálogo com o presidente e aproximação com uma parte da impressa que é contra o
Governo e tenta distorcer os fatos. No caso de Moro, a sua concordância com o
ex-ministro Mandetta em apoiar as medidas da OMS de isolamento social e ser
contra às declarações do presidente de flexibilização para não enfraquecer a
economia e causar desempregos causou uma desconfiança no Governo. A demissão de
Moro é uma consequência da pandemia do novo coronavírus que dividiu o país
politicamente e, também, resultado de manifestações antidemocráticas,
inquéritos contra fakes news e ataques de ódio contra autoridades investigados
pela PF.
A PF não pode sofrer interferência política nem
ingerência do presidente para barrar investigações; mas, também, não pode ser
usada por partidos contrários e até por uma parte da imprensa que querem
derrubar o presidente com acusações sem fundamentos. A PF não poder ser como
aquela moça bonita e gostosa assediada por muitos rapazes, e que acaba ficando
com o pior deles. Quanto às declarações de Moro em que os opositores alegam
indícios de crimes como o de falsidade ideológica de responsabilidade,
advocacia administrativa, obstrução da Justiça, coação no curso do processo e
prevaricação, não vejo fundamentos. Pois, para haver crime é preciso haver
materialização, provas e testemunhas. Intenção não é crime. Moro poderá também
incorrer em denunciação caluniosa e calúnia. Tudo agora é motivo de impeachment do
Presidente. Parece que estamos vivendo no país das fofocas, e onde os assuntos
mais importantes ficam para um segundo plano. Ou já estamos em campanha
eleitoral!
Goiânia, 25-04-2020
Alonso Rodrigues Pimentel
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