sábado, 24 de junho de 2023

422 Morei em Brazlândia DF

     No ano de 1977 os meus pais se separaram por um breve período quando morávamos na cidade de Anápolis, Goiás. Minha mãe, eu e mais 04 irmãos fomos morar em Brazlândia, DF, na casa de tábuas do meu tio Antônio, irmão mais novo de minha mãe e mais velho do que eu 03 anos, onde também morava o meu avô Febrone, que tinha sofrido um derrame cerebral e andava de muletas.  

 

     Na época, na parte nova de Brazlândia só havia casas de tábuas doadas pelo governo aos candangos, e muitos moradores atuais compraram os seus direitos de terceiros. Na pequena cidade haviam outros parentes meus, como o meu tio Senhor, sua esposa Delza e mais 10 filhos. O meu tio vendeu umas terras em Mimoso de Goiás para comprar um comércio.

 

     Lembro-me que em Brazlândia gostava de ir com amigos numa cachoeira distante poucos quilômetros onde havia um poço para tomarmos banho, e os meus colegas pulavam de uma altura de uns 8 metros, mas eu nunca tive coragem de pular. Lembro-me ainda de ter ido com parentes e amigos na avenida W3, na Asa Sul, em Brasília, para pular carnaval e viemos embora depois de amanhecer o dia. O meu tio Antônio acabou se casando com a sua namorada que era sua prima. Eu era interessado numa prima, mas nunca tive coragem de chegar nela.

 

     O meu pai foi até nós e reatou com minha mãe. Eu o levei para trabalhar comigo de pedreiro na construção do Conjunto Ceilândia Norte distante uns 30 quilômetros, na construção de casas populares, onde pegávamos empreitadas para levantar e rebocar paredes. A empresa nos pegavam em Brazlândia num caminhão de arara coberto com uma lona. À noite ainda ia para à escola, cursava a 8ª série do antigo primeiro grau.

 

     Quando acabou a obra do conjunto Ceilândia e fomos dispensados, os meus pais decidiram voltar para a cidade de Anápolis, e eu e os meus irmãos perdemos o ano escolar. A minha mãe morreu em 2003 de câncer nos rins aos 62 anos de idade. O meu pai morreu em 2004 de AVC aos 67 anos. O meu avô Febrone morreu em 2005 aos 89 anos de idade. O meu tio Antônio voltou para o Mimoso de Goiás, onde foi vereador por dois mandatos, e morreu em 2019 ao ser chifrado por uma vaca aos 62 anos. E o meu tio Senhor se mudou para Ceilândia Norte, separou-se da minha tinha Delza e morreu em 2021 vítima da Covid aos 83 anos.

 

     Em 2010 voltei em Brazlândia para visitar alguns parentes. Percebi que a cidade havia crescido bastante, estava moderna e não havia mais nenhuma casa de tábuas. E notei que a represa na entrada à direita da cidade estava bem cuidada e iluminada, e é onde as pessoas se encontram e fazem caminhadas. E senti saudades de voltar a morar na cidade!

 

 

Goiânia, 24-06-2023

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