No início do ano de 1970, minha mãe, meu pai, eu e mais 04 irmãos desembarcamos em Interlândia cognominada de “Pau Terra”, distrito de Anápolis distante 18 quilômetros, cortada pela BR 153 que liga Brasília a Belém - PA, conhecida pelos nomes de Transbrasiliana e Belém-Brasília. Interlândia hoje é contemplada com muitas benfeitorias como asfalto, água encanada e rede de esgoto. E conta com uma população em torno de 2000 habitantes.
A minha mãe Maria Conceição tinha 29 anos
de idade, o meu pai Odom 33, eu 09 anos, o Afonso 07, A Deusa 05, o Vilmar quase
dois anos e o Edmar tinha 01 mês, e era muito doente, nasceu prematuro. O meu
pai foi trabalhar numa pedreira nas proximidades do distrito como servente e
depois vigilante. Nos finais de semana e feriados íamos levar comida para o meu
pai, e brincávamos de andar nos carrinhos de carregar pedras, enquanto que a
minha mãe e o meu pai ficavam a cuidar do caçula, que estava aprendendo a
andar.
Morávamos de aluguel perto da paróquia São
Sebastião, que a minha gostava de frequentar por ser muito religiosa. Lembro-me
do sino que anunciava o horário das missas ou outro acontecimento conforme as
badaladas, e do megafone que fazia anúncios e tocava músicas religiosas. Eu
gostava muito de ouvir a música “Se eu pudesse conversar com Deus”, do cantor
Antônio Marcos.
Não tínhamos televisão, que era em preto e
branco e funcionava à válvulas, e era uma raridade, por ser item de luxo. Eu
era um menino sonhador, gostava de colecionar álbuns de figurinhas e já conhecia
de cor os nomes dos jogadores da seleção brasileira de futebol e artistas da
televisão. Em um bar às margens da rodovia eu assistia os jogos da seleção.
Lembro-me da decisão do Brasil conta à Itália, que a nossa seleção venceu por 4
a 1, foi uma festa entre os moradores com muitos foguetórios.
Eu estudava na escola Municipal Coronel
Achiles de Pina (hoje colégio) e cursa o 2º ano do ensino primário. Lembro-me
que na revelação de Amigo Secreto no final do ano a minha professora de nome
Maria de Jesus foi sorteada com o meu nome e me deu de presente um sabonete da
marca Rexona. Queria algo melhor! Vale ressaltar que era tempo de muita pobreza,
pois o país estava se encontrando econômica e politicamente.
Depois de 15 anos retornei à escola
Coronel Achiles de Pina para pegar uma cópia do meu boletim escolar por ter
passado no vestibular para o curso de Direito e contei-lhes que era Agente de
Polícia. A minha ex-professora e outros funcionários que estavam presentes me
reconheceram e ficaram orgulhosos de mim. Disseram-me que a pedreira hoje é um
imenso buraco inundado pela água. Muita coisa mudou, mas a escola ainda era a
mesma; senti saudade, mas tive que me despedir!
Goiânia, 06-08-2022
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