O clima entre o presidente Bolsonaro e a Rede Globo não é
nada amistoso, é uma guerra declarada, e vem desde a época das eleições quando
o mesmo então candidato ameaçou cortar os patrocínios da referida emissora. E como
presidente vem fazendo um enxugamento na máquina administrativa com cortes de
patrocínios federal a emissoras de televisão, que nadavam em dinheiro público e
pagavam altos salários. Outras emissoras também foram afetadas. A Rede Globo contra-ataca o tempo todo com
seu time de jornalistas criticando as ações e fala do presidente, e até o
silêncio do presidente é criticado.
Na reunião ministerial ocorrida no dia 22-04-2020, o
presidente Bolsonaro disse que para enfrentar um regime ditatorial seria necessário
a população se armar. Logo apareceram na televisão jornalistas e políticos
opositores comentando que o presidente queria impor uma guerra civil. Ora,
alguém deve-se armar para se defender e não para ir a uma guerra, que é uma
outra opção. O presidente não disse que armaria um grupo de pessoas rebeldes,
mas toda a população. Não houve uma conclamação para armar toda a população,
que é praticamente impossível. Enfim, armar a população está no sentido
figurado.
Num momento, o presidente disse se referindo ao ministro
do STF, Alexandre de Moraes, que através de medida liminar ou provisória,
suspendeu a nomeação e posse do delegado Alexandre Ramagem Rodrigues para
Diretoria-Geral da Polícia Federal, que acabou a interferência do STF em seu
Governo, que quem manda é ele. Pelo visto tratar-se-á de um discurso político,
pois aceitou a determinação judicial. A imprensa ficou pasmada com o brado do
presidente e entendeu o contrário. Num outro momento, o presidente disse que
iria convidar cerca de 30 amigos para um churrasco e uma pelada, foi duramente
criticado por o país estar vivendo uma pandemia, evento que nem chegou a
acontecer. Enfim, é muito mimimi e blá blá blá.
Outra polêmica fala do presidente está na sua relação com
o ex-ministro Sérgio Moro, ao afirmar que estaria interferindo politicamente na
Polícia Federal ao querer mudar o Diretor-Geral. Uma acusação que lhe rendeu um
processo no STF, e que após denúncia da Procuradoria Geral da República será
apreciado pelo Câmara dos Deputados para um processo de impeachment. No meu
entendimento, está havendo uma má interpretação das palavras do presidente,
porque o mesmo tem o direito de fazer uma interferência política, ou seja,
mudar um ministro, diretor, etc. Só não tem o direito de interferir num inquérito
ou processo que pertence ao Poder Judiciário.
O jornalismo profissional assim como a Justiça precisa
ter dois pesos e duas medidas, ou seja, não pode pender nem para um lado nem
para o outro; precisa ser neutro e informal, não distorcer as informações e nem
manipular as ideias. Precisa ouvir os dois lados de uma questão; não dar
prioridade a ninguém. Precisa ser transparente e respeitar as autoridades
constituídas. Os comentários não podem ser tendenciosos nem políticos e precisa
contar com jornalistas especialistas da área e de conduta ilibada. A verdade é
que as distorções jornalísticas podem derrubar um Governo e causar uma
revolução e ditadura como já ocorreu com o Brasil e outros países.
Goiânia, 09-06-2020
Alonso Pimentel
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