Com a consolidação da
internet na primeira década, do século XXI, o mundo se globalizou e se tornou
mais pequeno, com a comunicação virtual e instantânea em sites, e-mails e redes
sociais. A internet veio para interagir as pessoas no mundo inteiro com mais
informações, serviços e relacionamentos comerciais e afetivos.
Na
internet há espaço para todo mundo, principalmente para os profissionais da
comunicação, da literatura, das artes, plásticas, cênicas, música, etc; e até
para quem não tem talento. A internet também é um mar de notícias falsas,
golpistas e de pessoas que praticam crimes cibernéticos como pornografia
infantil, apologia e incitação a crimes contra a vida, violência contra mulheres/misoginia,
xenofobia, racismo, homofobia, neonazismo, maus-tratos contra animais,
intolerância religiosa, e tráfico de drogas, armas e pessoas.
A
internet tem o lado bom e o lado ruim, com muita propaganda boa e enganosa; e é
o caminho mais curto para se chegar a fama e a riqueza. O grupo Porta dos
Fundos especializado em vídeos humorísticos satíricos saíram da internet para o
mundo real, onde os seus integrantes conseguiram espaço na televisão e no
teatro. Com a fama o denominado grupo também adquiriu riqueza e prestígio da
noite para o dia.
Com
o intuito de ganharem mais notoriedade, os integrantes do referido grupo
publicaram um especial de Natal pela Netflix com o título “A primeira tentação
de Cristo”, em que adulteram o Novo Testamento da Bíblia Sagrada, e insinuam
que Jesus Cristo teve um relacionamento homossexual enquanto estava no deserto
por 40 dias e 40 noites sem alimentação, além da adulteração da história de
Maria mãe de Jesus e de outros personagens bíblicos.
Na
verdade, os integrantes do grupo não esperavam uma repercussão negativa, isto
é, uma onda de protestos do cristianismo e até do islamismo, por ser Jesus
considerado um profeta menor que Maomé.
E a sede da produtora do canal Porta dos fundos localizada no edifício
Humaitá, na zona Sul do Rio de Janeiro, ainda foi atacada por cerca de 04
pessoas no dia 24-12-2019, que lançaram coquetéis molotov, e onde ninguém se
feriu. A polícia conseguiu identificar um dos criminosos pelas câmeras de
segurança por não usar máscara, mas o mesmo fugiu para a Rússia.
Em
uma ação movida pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, a Justiça do
Rio de Janeiro em 13-12, determinou a suspensão de exibição do Especial de
Natal A Primeira Tentação de Cristo pela Netflix, com base no artigo 208 do
Código Penal e para pôr fim a onda de insatisfação religiosa no catolicismo e
seitas evangélicas. Mas o presidente do STF, Dias Toffoli, em 9-12, acatou o
pedido da empresa Netflix que alegou “censura judicial” ao contrariar a CF que
veda quaisquer formas de censura e restrições não previstas na liberdade de
expressão, e por fim, derrubou a limitar da Justiça do Rio, não cabendo mais
recurso.
O
certo é que mesmo o STF sendo a instância máxima da Justiça Brasileira, as suas
decisões não são perenes e podem ser mudadas pelo mesmo órgão. As decisões do
STF podem ou não gerar jurisprudência, porque depende das reações positivas ou
negativas. Neste caso da ação judicial contra o grupo Porta dos Fundos acho que
não vai gerar jurisprudência, por ser uma decisão contraditória no meio
jurídico, em que um juiz derrubou a liminar de outro. A meu ver não deve haver
restrição à liberdade de expressão em obras literárias, artísticas ou
humorísticas; mas deve sim haver um respeito às religiões assim como as
diferentes culturas e pessoas, como forma de evitar a violência e até guerras
civis entre religiões. Quanto ao grupo Porta dos Fundos, vejo que a exibição
deste filme foi desnecessária e imprudente.
Goiânia,
Go, 19-01-2020
Alonso
Rodrigues Pimentel
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