O Campeonato Sudamericano de Fútbol ou, em português,
Campeonato Sul-Americano de Futebol teve início com o torneio realizado na
Argentina entre 2 e 17 de julho de 1916, em comemoração ao centenário de sua independência,
tendo como participantes Argentina, Chile, Uruguai e Brasil. O Uruguai ao
empatar em 0 a 0 com a anfitriã Argentina tornou-se o primeiro campeão.
Ainda no ano de 1916 as Confederações de Futebol do
Uruguai, Argentina, Chile e Brasil fundaram a CONMEBOL (Confederação
Sul-Americana de Futebol), ou CFS, que posteriormente incorporaram Paraguai,
1921, Peru, 1925, Bolívia, 1926, Equador, 1927, Colômbia, 1936 e Venezuela,
1952. Suriname Guiana e Guiana Francesa se afiliaram a CONCACAF – Confederação
de Futebol da América do Norte, Central e Caribe.
Em 1975, o Campeonato Sul-Americano de Futebol passou a
ser chamado de Copa América. É o torneio mais antigo e o terceiro mais importante do mundo,
atrás apenas da Copa do Mundo e da Eurocopa. Em 1984, a Conmebol adotou o
rodizio, ou seja, o direito entre as 10 confederações de sediar a Copa América.
Desde de 1993, a competição tem o formato atual, com as 10 equipes usuais, mais
uma da América do Norte e outra da Ásia. E a partir de 2007 o torneio passou a
ser disputado a cada 04 anos, com exceção do Centenário em 2016, que foi
realizado nos EUA, e que contou com 16 equipes.
O Uruguai é o maior vencedor com 15 títulos, seguido por
Argentina, 14, Brasil, 8, Paraguai, 2, Chile, 2, Peru, 2, Colômbia, 1 e
Bolívia, 1. Equador e Venezuela ainda não venceram. O México com 2 vices, 1993
e 2001, é a equipe que mais venceu entre as convidadas. O Brasil foi campeão em
1919, 1922, 1949, 1989, 1997, 1999, 2004 e 2007. A maior surpresa do Brasil foi
na Copa América de 2001, na Colômbia, quando perdeu para Honduras, país da
América Central, por 2 a 0. O técnico era Luiz Felipe Scolari, que se redimiu
no Mundial em 2002.
Desde 2007 o desempenho de nossa seleção não é bom, é
frustrante. Fracassamos em 2011, 2015 e 2016. Em 2011 fomos eliminados pelo
Paraguai nas quartas de final nas cobranças de pênaltis por 2 a 0 depois de 0 a
0 no tempo normal. Elano, Thiago Silva, André Santos e Fred amarelaram nas
cobranças. Em 2015 fomos eliminados novamente pelo Paraguai nas quartas de
final nas cobranças de pênaltis por 3 a 4, depois de 1 a 1 no tempo normal, com
um gol de pênalti cedido por Thiago Silva, que ao subir para cabecear tocou a
mão na bola. E em 2016, ficamos na fase de grupos ao perdermos para o Peru por
1 a 0, com um gol de mão do atacante Ruidíaz. Derrota esta que custou o cargo
do técnico Dunga.
Neste ano de 2019, entre os dias 14 de junho e 07 de
julho, o Brasil sediou a 46ª Copa América pela 5ª vez. Na fase de grupos,
venceu a Bolívia por 3 a 0, empatou em 0 a 0 com a Venezuela e venceu o Peru
por 5 a 0. Nas quartas de final empatou em 0 a 0 com o Paraguai, mas nas
cobranças de pênaltis venceu por 4 a 3. Na semifinal passou pela Argentina por
2 a 0. Mesmo sem Neymar, o principal jogador, que se contundiu no primeiro
jogo, o técnico Tite encontrou um esquema tático convincente. E depois de 12
anos, o Brasil se classificou para uma final, para enfrentar o Peru que venceu
o Chile (último campeão) por 3 a 0.
A disputa pelo 3º lugar aconteceu no sábado (06) entre a
Argentina e o Chile. A Argentina venceu por 2 a 1. Foi um jogo disputado do
começo ao fim, e que ficou marcado pela expulsão do argentino Messi, melhor
jogador da atualidade, e do chileno Gary Medel, que se estranharam após um
lance de falta. Messi alegou ser injusta a sua expulsão, pois apenas se
defendeu dos empurrões e cabeçadas de Medel. É a segunda expulsão de Messi na
seleção da Argentina e na carreira, já que nunca fora expulso no Barcelona.
No domingo (07), o Maracanã estava lotado com mais de 70
mil torcedores para assistirem a final inédita entre Brasil e Peru. Embora o
Brasil havia vencido o Peru de goleada na fase de grupos não era favorito. O
Peru assim como o Brasil cresceu durante a competição com um esquema tático
mais defensivo e com contra-ataques eficientes. Diferente do primeiro jogo, o
Peru entrou com uma forte marcação e maior posse de bola. Mas num
contra-ataque, Gabriel Jesus avançou pela direita, se livrou de três marcadores
e cruzou na pequena área para Everton livre abrir o placar. O Peru não se abalou
com o gol sofrido. Thiago Silva ao tentar defender uma bola caiu e tocou-a com
o braço (esquerdo) de apoio e o juiz marcou o pênalti. Os jogadores reclamaram
e o Var foi acionado, mas o juiz confirmou o pênalti. Guerreiro marcou e
empatou. Pouco antes do intervalo, Gabriel Jesus recebe de Arthur e da meia-lua
chuta no canto direito, sem chance para o goleiro Gallese. Aos 24 minutos do
segundo tempo, Gabriel Jesus recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso.
Com um a mais o Peru fica ameaçador, e Tite reforça a defesa. Nos últimos
minutos, Everton é derrubado na área e o juiz marca pênalti. Os peruanos
reclamam que foi uma jogada de corpo ou de ombro e o Var é acionado novamente.
O juiz confirma o pênalti; e Richarlison chuta forte e faz 3 a 1.
A novidade desta Copa América foi a utilização do VAR –
em inglês, Video Assistant Referee -, ou Arbítrio de Vídeo, oficializado pela
FIFA, com o objetivo de analisar e auxiliar as decisões tomadas pelo juiz
principal e, desta maneira, evitar as injustiças como gol de mão, falta
inexistente e bola que não entrou no gol. O VAR é uma inovação de outras
modalidades, como o voley e o tênis. Ainda está em fase de aperfeiçoamento.
Nesta Copa houve muitas reclamações sobre o VAR, em não ser acionado ou não
interferir nas decisões dos juízes, inclusive com as reclamações do Messi de que a
Argentina fora prejudicada contra o Brasil. Pelo visto, os erros de arbitragem
devem continuar, embora numa porcentagem menor. Não ter erro é impossível,
porque na vida nada é perfeito, inclusive o VAR.
Goiânia, Goiás, 08 de julho de 2019
Por Alonso Pimentel
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