Tratava-se
de um imóvel privado, mas que devido a tantas dívidas foi tomado pelo Estado de
São Paulo. Entre 1980 e 2002 foi sede da Polícia Federal. Em 17 de setembro de
2002 passou a pertencer a União. Em 2007 funcionou na área térrea um posto de
atendimento do INSS. Conforme o Ministério do Planejamento da União, o prédio
foi cedido provisoriamente à Prefeitura em 2017 devido estar invadido por
moradores sem teto. A Prefeitura de São Paulo informou que foram cadastradas
248 pessoas de 92 famílias no local. Atualmente era ocupado por 142 famílias e
372 moradores. Só os 11 primeiros
andares eram ocupados, devido a falta de elevadores e instalações precárias.
Na madrugada
de terça-feira, 1º de maio de 2018, um incêndio no 5º andar causado por um
curto-circuito numa tomada se espalhou rapidamente por outros andares causando
alvoroço entre os moradores. Houve muito corre-corre, gritaria e desocupação às
pressas. O Corpo de Bombeiros e ambulâncias de paramédicos foram acionados. Um
morador que havia retornado para salvar pessoas ficou cercado pelo fogo e
prestes a ser resgatado por uma equipe do Corpo de Bombeiros caiu junto com
prédio do 8º andar; o seu corpo foi encontrado e identificado por peritos da Polícia
Técnico-Científica. Passados 12 dias da tragédia foram encontrados 04 corpos.
Conforme os Bombeiros restam 04 desaparecidos.
Os motivos
do fogo se espalhar rapidamente assim como o desabamento do prédio são vários,
pois conforme especialistas havia muita fiação elétrica clandestina exposta,
muita madeira compensada, muito papel, papelão e lixo por todo o local
inclusive no fosso do elevador que não era utilizado; não haviam extintores de
incêndio e muitas infiltrações de água que devem ter afetado a base do prédio.
Conforme os Bombeiros, a grande quantidade de lixo no fosso do elevador
dificultou apagar o incêndio e aqueceu as ferragens de sustentação que não
resistiram o peso do prédio.
Pelo visto o
Ministério Público de São Paulo deveria ter interditado esse prédio há tempo
por se tratar de um patrimônio público, por não ser o mesmo destinado a
residências, e também pelas instalações precárias e até por falta de segurança
aos moradores. Faltou ainda fiscalização de outros órgãos competentes, ou que
fizeram vistas grossas. A reintegração de posse do imóvel para o Estado não foi
impetrada, ou foi omissa. Ninguém quer assumir a culpa. Um processo vai ser
instaurado. Por outro lado, as famílias cadastradas deveriam ser transferidas
para locais adequados e condizentes.
Mais uma vez o Poder Público foi omisso, e o triste resultado não
poderia ser outro. Enfim, mais uma tragédia anunciada, que poderia ser
evitada.
Por Alonso Rodrigues Pimentel
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