Depois de 11 meses ou 314 dias
tramitando na Câmara dos Deputados chega ao fim o Processo de Impeachment
contra o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que culminou com a votação de 450
votos a favor, 10 contra e 9 abstenções, e que resultou na cassação de seu
mandato, inelegibilidade até 2027 e perda de foro privilegiado. Do total de 513
deputados, 470 compareceram na sessão, contando com o presidente da Casa
Rodrigo Maia, que iria votar em caso de empate.
A pedido da PGR (Procuradoria-Geral da
República) e por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) o então
presidente da Câmara foi afastado das funções de deputado, por suspeita de
atrapalhar nas investigações contra sua pessoa, já que é réu em dois processos,
em que são investigados esquemas de cobrança em obras de empresas estatais como
Petrobrás; e ainda acusações de ter contas secretas na Suíça oriundas de
recebimento de propina, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de
divisa e falsidade ideológica para fins eleitorais.
Diante do envolvimento do deputado
Eduardo Cunha como réu em 02 inquéritos no STF, o Conselho de Ética da Câmara
dos Deputados decidiu abrir o processo de impeachment contra o mesmo, com o
argumento de conduta incompatível com o decoro parlamentar. Mas o advogado do
deputado Eduardo Cunha na Lava Jato, Antônio Fernando de Souza, na sessão de
julgamento, alega que não há provas que incriminam seu cliente em nenhum
esquema de propina.
O ex-deputado federal Eduardo Cunha
alega não ter mentido na CPI (Comissão Parlamentar de inquérito) da Petrobras e
relaciona a sua cassação a uma vingança por ter aprovado o processo de
impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. E que a representação
apresentada pelo PSOL e Rede em 13 de outubro de 2015 pela sua cassação não tem
fundamento. E afirma: “Quero reiterar que comprovarei a minha inocência nesses
inquéritos, confiando da Justiça do meu país. Reafirmo que não recebi qualquer
vantagem indevida de quem quer que seja. Sofro da seletividade do órgão
acusador (a PGR) que atua com relação a mim diferentemente do que outros
investigados com o mesmo foro”.
No meu entender, assim como aconteceu
com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, há muita exposição
e nenhuma prova. A ex-presidente Dilma e o ex-deputado Cunha ainda não foram
julgados, e podem ser absolvidos por falta de provas. Foram julgados pelo
clamor das manifestações partidárias. Por outro lado, há muitos políticos
envolvidos em escândalos maiores e que estão dando as cartas. É um jogo
político que não podemos aceitar. Temos que dar as respostas nas urnas, votando
em candidatos honestos e competentes, pois só assim acabaremos com a corrupção
em nosso país.
Goiânia – GO., 13 de setembro de 2016
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